Setembro Amarelo: por que é importante debater um tema tão penoso como o suicídio?
Agentes penitenciários trabalham em ambientes estressantes e insalubres , e precisam ficar atentos com a sua saúde mental
Postado em : 06/09/2018



O Centro de Valorização da Vida mantém o número de telefone 188 como canal de conversa e apoio para quem pensa em cometer suicídio. As ligações para o CVV são gratuitas a partir de qualquer linha telefônica fixa ou celular, e abrangem todo o país. Nessa hora é importante falar sobre os sentimentos e não ter vergonha de procurar uma ajuda profissional.

 

Suicídio permanece como um tabu na maioria das sociedades no mundo, mas vem crescendo assustadoramente entre a juventude. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), uma pessoa tira a própria vida a cada 40 segundos, com cerca de 800 mil suicidas anuais no planeta.

Por isso, a OMS transformou o 10 de setembro no Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, em 2003, para chamar a atenção ao tema. Em 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), o Centro de Valorização da Vida e o Conselho Federal de Medicina, trouxeram ao país a campanha Setembro Amarelo.

“O principal objetivo do Setembro Amarelo é a conscientização sobre a prevenção do suicídio, buscando alertar a população a respeito da realidade da prática no Brasil e em todo o mundo”, diz texto sobre a campanha.

Os estudiosos defendem o diálogo como forma de enfrentar o suicídio. Mas "não podemos falar de forma errada. Não podemos glamourizar, nem ensinar técnicas", diz o psiquiatra Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Psiquiátrica da América Latina.

Para Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Sociais da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), “a vida corrida que levamos hoje em dia, sem tempo para parar um pouquinho e refletir sobre os acontecimentos pode causar sofrimento além do que as pessoas imaginam poderem suportar"  e dessa forma "não enxergarem solução para as coisas, tomando atitude drástica”.

Como afirma a psicóloga Karina Fukumitsu, o suicídio “costuma ser cometido por alguém que está definhando existencialmente, que deixou de acreditar em sua própria capacidade de transformas a sua dor em amor”.

Dados do Ministério da Saúde mostram que o suicídio aumentou 73% no Brasil entre 2000 e 2016, passando de 6.780 para 11.736 casos. E como diagnostica a OMS, essa já é a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos.

A depressão, transtornos mentais, envolvimento com drogas, violência doméstica, abuso sexual, bullying e intolerância são as principais causas do suicídio, segundo os psiquiatras. ”Atualmente tudo é visto como individual pelos setores hegemônicos da sociedade, então a pressão sobre as pessoas é enorme, essencialmente aos mais jovens", acentua Vânia.

Para o psiquiatra Elton Kanomata a passagem da infância ao mundo adulto está cada vez mais comprimida e dificultada por uma sociedade voltada para o eu e isso pode causar muito sofrimento aos adolescentes, porque nessa fase da vida tudo é muito intenso.

“Toda a parte mental deles está em desenvolvimento. A questão da resiliência e da capacidade de lidar com as frustrações podem não estar prontas”. Já o seu colega de psiquiatria, Antônio Geraldo da Silva alega que a sociedade está “expondo esses cérebros em formação a vários tipos de estressores” e isso “leva à predisposição do aparecimento de doenças mentais, como a depressão”.

Já o psicanalista Mário Corso defende que não se deve romantizar o ato de suicidar-se e não tratar o suicida como herói. “Viver é que é difícil. Heroísmo é sobreviver, é ficar no mundo e ajudar os outros”, diz.

Por isso, “o Setembro Amarelo ganha mais espaços nas entidades envolvidas com o desenvolvimento da vida e do mundo do trabalho”, reforça Vânia. Porque, “o enfrentamento ao tema deve envolver toda a sociedade, principalmente o movimento sindical que está mais próximo das pessoas que mais necessitam de atenção e enfrentam as maiores dificuldades na vida”.

 

Fonte: CTB





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