SINDCOP notifica judicialmente jornalista que ofendeu a categoria durante o programa “Roda Viva”
André Guilherme, repórter do Valor Econômico, participava de sabatina com o então candidato a governador de São Paulo Márcio França; Na visão do sindicato ele fez afirmações irresponsáveis e generalizadas
Postado em : 19/11/2018



Jurídico do SINDCOP alega que servidores do sistema prisional paulista se sentiram “ofendidos em sua honra” com as falas do repórter. Foto: Reprodução/YouTube.

 

O SINDCOP notificou judicialmente o repórter André Guilherme Vieira e o jornal Valor Econômico por ofensas à categoria dos servidores penitenciários paulistas.

A ação foi proposta pelo Departamento Jurídico do sindicato dia 22 de outubro, na 2ª Vara Cível da Fazenda Pública do Foro Central, em São Paulo. O processo, de número 1109805-32.2018.8.26.0100, aguarda manifestação dos requeridos.

Convidado pelo programa “Roda Viva” da TV Cultura, André Vieira participou de sabatina representando o jornal Valor Econômico. Na ocasião o entrevistado foi o então candidato ao governo de São Paulo, Márcio França.

O programa foi ao ar na noite de 15 de outubro, e está disponível, na íntegra, pela internet.

Com a ação o sindicato quer retratação e esclarecimentos, tanto por meio do jornal Valor Econômico quanto na próxima edição do programa Roda Viva em que o repórter vier a participar, sob pena de responsabilizações civis e criminais.

Para Gilson Pimentel Barreto, presidente do SINDCOP, é preciso mais atenção de repórteres e meios de comunicação em geral. “Antes de só acusar eles deveriam procurar saber a realidade em que esses profissionais desenvolvem suas atividades”, pontua.

Ofensas

Na ação o Jurídico do SINDCOP alega que servidores do sistema prisional paulista se sentiram “ofendidos em sua honra”. Durante a sabatina Vieira teria afirmado, de forma velada, que os funcionários do sistema penitenciário de São Paulo são corruptos.

A partir dos 30 minutos da entrevista, jornalistas do programa questionaram Márcio França sobre casos de corrupção envolvendo servidores públicos. O governador respondeu que não se pode acusar os milhares de integrantes do funcionalismo por causa de maus exemplos, citando a realidade da Polícia Militar e da Administração Penitenciária:

“São 30 mil homens [na Administração Penitenciária], mas como? Todo mundo é corrupto?”, indagou.

Em resposta, o repórter do Valor Econômico questionou: “mas se entra celular [nas cadeias], se fala, você tem que presumir…”, dando a entender que os servidores são permissivos com relação à entrada de celulares nas unidades prisionais.

De acordo com a ação, o SIDNCOP argumenta que o questionamento do repórter foi feito de forma “irresponsável e generalizada”.

Na sequência da entrevista houve a insinuação de que os servidores prisionais estariam envolvidos com o crime.

A alegação se deu após Márcio França reiterar a confiança nos cerca de 500 mil funcionários públicos do estado, dizendo que dentro desse total pode haver “alguém que faça alguma coisa errada”.

Em seguida, França perguntou à Vieira se seria possível garantir que no Valor Econômico não tenha alguém que possa fazer alguma coisa errada.

Em retorno, o repórter disse que “provavelmente ninguém compactua com o crime organizado dentro do Valor Econômico”.  

Fere a honra

Para o presidente do SINDCOP, os servidores cumprem com rigor e de forma exemplar suas tarefas de combate ao crime dentro do sistema penitenciário.

“É sabido, pelo noticiário e por todas as mídias, que os servidores do sistema prisional tem dispensado total dedicação, com constantes apreensão de celulares e drogas, colocando o Estado de São Paulo entre os mais eficientes em coibir essa pratica de delito”, defende.

A notificação judicial do SINDCOP argumenta que as insinuações do repórter André Vieira feriram a honra dos servidores prisionais, de acordo com a Constituição Federal:

Artigo 5º, X: “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.”

 





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