As mortes por Covid-19 no sistema prisional deixam servidores assustados e preocupados com o perigo do vírus nas unidades prisionais
Carlos Vítolo
Imprensa Sindcop
Nesta quinta-feira (11) completa 1 ano que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a existência da pandemia do novo coronavírus, causador da Covid-19.
Ainda em dezembro de 2019, a OMS já tinha a informação sobre casos de uma pneumonia desconhecida, em Wuhan, na China. Até que em janeiro de 2020, foi identificado o novo coronavírus como causador da doença. Ainda em janeiro, dia 23, Wuhan é isolada do resto do mundo.
Hoje, 1 ano após a OMS ter declarado a pandemia, o Brasil está entre os maiores números de casos e mortes em todo o mundo.
No sistema prisional de São Paulo, policiais penais e demais servidores estão assustados com o total de mortos entre os funcionários, que já chegou a 51, conforme dados do boletim diário da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP).
A reportagem do Sindcop questionou a SAP sobre o aumento do número de casos e cobrou uma avaliação do órgão, no entanto, até o fechamento matéria, nenhuma resposta foi dada.
Desde de julho do ano passado, por determinação da Justiça, o governo de São Paulo passou a divulgar os dados da pandemia do novo coronavírus nas unidades prisionais do Estado.
No primeiro boletim, em 7/7/2020, a SAP apontava que 19 servidores haviam morrido por Covid-19 nos presídios. Agora, oito meses depois, o número de mortos entre os servidores chega a 51, conforme dados do boletim abaixo.
Quadro geral sobre servidores, 11/3/2021:
Fonte: SAP

Em linhas gerais, o aumento dos casos se refere tanto a policiais penais quanto a demais servidores, uma vez que a SAP não especifica funções nem outros detalhes, apenas aponta os números.
Dados do CNJ no sistema prisional
De acordo com levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), sobre o monitoramento semanal dos casos de contágios e mortes por Covid-19, atualizado em 10/3, o sistema prisional do país tem 122 óbitos e 16.046 casos confirmados entre servidores. O levantamento destaca ainda que o maior número de mortos está no Estado de São Paulo.
Fonte: Conselho Nacional de Justiça (CNJ)

Uma resolução publicada no Diário Oficial da União (DOU), em 9/2, pelo Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), recomenda a vacinação prioritária, contra a Covid-19, dos policiais penais, bem como, das pessoas privadas de liberdade.
O Plano Nacional de Imunização, lançado governo federal em dezembro do ano passado, priorizou grupos de risco, membros da faixa etária de maior letalidade da infecção e públicos em situação de vulnerabilidade, entre eles, os servidores do sistema prisional, que foram incluídos apenas na quarta fase da campanha de vacinação.
De acordo com a resolução publicada no DOU, a vacinação policiais penais e demais servidores do sistema prisional é essencial, sob risco de afetar a segurança pública.
O documento também aponta que, quanto mais demorada for a vacinação no sistema prisional, maiores serão os gastos com prevenção e assistência de saúde da massa carcerária, aumentando as escoltas presos, a força de trabalho, provocando risco à segurança de servidores, presos e operações.