Sindicalista da Internacional de Serviços Públicos fala na Rádio Sindcop sobre imposto de renda e justiça fiscal

“Todos os países mais desenvolvidos do mundo cobram mais imposto de quem está no topo da pirâmide e menos imposto de quem está na base”, disse Gabriel Casnati, da ISP.

Carlos Vítolo

Da Redação – Sindcop

O programa Revista Nacional, da Rádio Sindcop, recebeu para entrevista nesta terça-feira (1º), o sindicalista da ISP (Internacional de Serviços Públicos), Gabriel Casnati, e o presidente do Sindcop, Gilson Barreto. Eles falaram sobre Imposto de Renda e justiça fiscal.

A ISP é uma Federação Sindical Global de mais de 700 sindicatos e representa 30 milhões de trabalhadores em 154 países. A instituição defende os direitos sindicais e dos trabalhadores e luta pelo acesso universal a serviços públicos de qualidade.

Na ISP, Casnati atua na agenda da justiça fiscal na América Latina e também é responsável pela coordenação da juventude dos serviços públicos em nível global.

“Quando a gente fala de justiça fiscal, a gente tá falando de duas coisas: a primeira é que, a forma que os impostos são coletados seja justa e o que significa justiça, nesse caso, que quem tem mais, pague mais imposto de quem tem menos. Então, enquanto mais renda você tem, você pague proporcionalmente mais imposto em relação àqueles de menor renda. Essa é uma ponta da justiça fiscal. A outra ponta é você ter mais transparência e mais parte do gasto direcionado a serviços públicos de qualidade, porque os serviços públicos são democráticos para todos e ter bons serviços públicos auxilia na redução da desigualdade social”, disse Casnati.

O sindicalista destacou ainda que, quando falamos em justiça fiscal, devemos pensar que, quem pague mais deva ser quem tem mais.

“A gente quer uma arrecadação de uma forma mais justa e o investimento que vise transparência e vise serviços públicos que eles também reduzem a desigualdade social. E o que que acontece hoje no Brasil? Qual que é o grande problema, um dos grandes dramas do Brasil? Todo mundo aqui sabe que o Brasil sempre se configura em primeiro, em segundo, em terceiro, está sempre no topo do ranking dos países mais desiguais do mundo […] qual é o grande drama, o grande problema do Brasil e que na minha visão é, senão o maior, um dos maiores problemas do Brasil, que é um país que a gente sabe que tem problemas muito sérios. O grande problema, um dos grandes problemas do Brasil é a desigualdade na hora dos impostos. O que acaba se refletindo na grande desigualdade social que a gente tem”, explicou o sindicalista.

De acordo com o sindicalista da ISP, o fato de o país ter impostos tão desiguais é um dos principais fatores que explicam o Brasil estar no topo do ranking de países mais desiguais do mundo. “No Brasil se tira muito de quem tem muito pouco e tira quase nada daqueles que tem muito. Então você acaba aumentando a desigualdade e você ao tirar muito de quem tem pouco e muito pouco de quem tem muito, você não tem tanto dinheiro assim para investir em serviços públicos de qualidade”, disse.

Casnati explicou que no Brasil o pobre é mais penalizado e que quanto menos renda se tem, mais imposto se paga. “Todos os países mais desenvolvidos do mundo cobram mais imposto de quem está no topo da pirâmide e menos imposto de quem está na base, o que é justiça fiscal. E no Brasil nós fazemos exatamente o contrário. Essa desigualdade fiscal no Brasil se reflete em desigualdade social, e por isso que a gente precisa da justiça fiscal para fazer com que os pobres paguem menos impostos”.

No dia 18 do mês passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou o projeto de lei que prevê a isenção de Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês. Conforme o governo, a elevação da faixa de isenção é uma questão de justiça social e justiça fiscal.

Segundo Casnati, a proposta da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$5.000,00, embora seja insuficiente para corrigir os problemas, é um passo na direção correta de fazer com que os trabalhadores paguem menos impostos.

Confira a entrevista na íntegra com o sindicalista da ISP, Gabriel Casnati, e o presidente do Sindcop, Gilson Barreto.