Padre e psicóloga falam sobre prevenção ao suicídio Rádio Sindcop

Carlos Vítolo Da Redação – SINDCOP A prevenção ao suicídio e os cuidados com a saúde mental foi tema de entrevista nesta quarta-feira (17), no programa Revista Nacional, da Rádio Sindcop. Para falar sobre o assunto, o jornalista Carlos Vitolo recebeu a psicóloga do Sindcop, Silvia de Assis, e o padre Alex Augusto Manoel de Souza, da Paróquia Nossa Senhora da Assunção, Diocese de Bauru. Especialmente no mês de setembro, o tema fica em evidência em virtude da campanha Setembro Amarelo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), todos os anos no mundo, mais de 700 mil pessoas morrem por suicídio. No Brasil os dados apontam que são 14 mil mortes, números que comprovam a insuficiência de políticas eficientes para a prevenção do suicídio. Na entrevista, a psicóloga alertou que o tema deveria ser mais discutido. “Embora seja ‘Setembro Amarelo’, devíamos falar do assunto mais vezes. Inclusive, de algum tempo, uns anos atrás, começaram a falar que não era mais para falar suicídio, que era para falar da vida, enfim, eu vejo que as pessoas às vezes querem mudar os nomes, as vezes acho que para amenizar alguma coisa, mas que é muito sério”, disse. Ela destacou que “todos os sinais são importantes, mesmo aquele que a gente acha que não é”, e lembrou que, no caso dos policiais penais, tem o sindicato que presta a assistência por meio das psicólogas. De outro lado, o padre Alex falou sobre a importância da fé, da religião e da união entre a espiritualidade e a psicologia como forma de combate e prevenção. “Eu costumo dizer que a espiritualidade e a psicologia, quando elas bem encaminhadas, bem direcionadas, é um casal perfeito. Quando a gente consegue juntar a área humana com a área espiritual, nós conseguimos dar sentido a todas as realidades humanas. Muitas vezes, nós separamos uma área da outra, cada um tem seus caminhos, cada um tem suas bases, mas caminhando juntos, cada um dentro da sua especialidade, pode unir essas duas realidades”, disse o padre. O líder religioso explicou que “o grande desafio na fé, na espiritualidade, que nós temos hoje, é justamente dentro do materialismo. Como a gente vive um racionalismo muito grande ou também o materialismo, eu não falo nem de consumismo em si, mas uma falta de profundidade naquilo que é espiritual, naquilo que é fé e quando a gente vive, de fato, uma escassez, daquilo que é sobrenatural, daquilo que é divino, daquilo que é do interior e nós focamos naquilo que é matéria e nós sabemos, que todo tipo de matéria ela se desfaz, ela se acaba”. Disse ainda que quando a pessoa tenta se basear a sua vida somente naquilo que é temporal, naquilo que é matéria, ela não encontra fundamento para subsistir dentro da existência. “A espiritualidade vem trazer essa base que transcende os limites da razão, transcende os limites da matéria e mesmo que esteja numa condição extremamente caótica, dentro da sua área humana, pessoal, ela consegue embasar tudo isso, dentro da fé”, disse o padre. Ele também disse que em seus atendimentos, ao dar o direcionamento espiritual, quando é o caso, encaminha para um psicólogo. Assista a entrevista na íntegra com a psicóloga do Sindcop, Silvia de Assis, e o padre Alex Augusto. Setembro Amarelo agora é lei O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou no último dia 9, a Lei 15.199/2025, que tornou oficial a campanha Setembro Amarelo, estabelecendo o dia 10 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio e o dia 17 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação. Pela legislação, o poder público, em conjunto com instituições, organizações não governamentais e a sociedade civil, deverá promover atividades, eventos e campanhas de conscientização durante o mês de setembro. Os eventos devem informar a população sobre os riscos da automutilação e do suicídio, bem como os recursos disponíveis para apoio e tratamento. Também, reduzir o estigma e os preconceitos associados a questões de saúde mental, promover a empatia, a compreensão e o apoio às pessoas que enfrentam desafios relacionados à automutilação e à ideação suicida, estimular a busca por ajuda profissional em casos de automutilação e de ideação suicida. Segundo a norma, o poder público poderá apoiar e incentivar a realização de atividades educacionais nas escolas e na comunidade destinadas a informar, a sensibilizar e a conscientizar sobre a prevenção da automutilação e do suicídio. Entre as atividades que poderão ser desenvolvidas durante a campanha Setembro Amarelo, estão: a iluminação de prédios públicos com luzes de cor amarela, a promoção de palestras, eventos, atividades educativas sobre a saúde mental, veiculação de campanhas na mídia e disponibilização à população de informações em banners, em folders e em outros materiais ilustrativos. Segundo o governo federal, Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) oferecem serviços com equipes especializadas para atender as necessidades de saúde mental da população, incluindo pessoas que passam por desafios relacionados ao uso de álcool e outras drogas. O atendimento nos CAPS está disponível para qualquer pessoa que precise de suporte, e pode ser acessado de forma espontânea ou por encaminhamento de outros serviços da rede de saúde. Já nas Unidades de Acolhimento, Serviço Residencial Terapêutico e dos hospitais gerais, é obrigatório o encaminhamento de outras unidades de saúde, como as Unidades Básicas de Saúde (UBS). Modalidades dos CAPS CAPS I: Atende pessoas de todas as faixas etárias com sofrimento psíquico grave. Indicado para regiões com mais de 15 mil habitantes; CAPS II: Atende pessoas com sofrimento psíquico decorrente de problemas mentais graves e persistentes. Indicado para regiões com mais de 70 mil habitantes; CAPS i: Atende crianças e adolescentes com sofrimento psíquico decorrente de problemas mentais graves e persistentes. Indicado para regiões com mais de 70 mil habitantes; CAPS AD: Álcool e Drogas: Atende todas as faixas etárias com sofrimento psíquico por uso de álcool e outras drogas. Indicado para regiões com mais de 70 mil habitantes; CAPS III: Oferece atenção contínua, com funcionamento 24 horas, acolhimento noturno e outros serviços de saúde