Na Alesp, SINDCOP participa de audiência pela chamada imediata dos concursados da SAP

Organizada pelo deputado Carlos Giannazi, reunião discutiu déficit de agentes no sistema prisional e a iminência de concursos anteriores caducarem

Presidente do SINDCOP, Gilson Pimentel Barreto compôs a mesa (o último, da esquerda para direita) e falou sobre a realidade do servidor público e a precarização do sistema penitenciário paulista

O SINDCOP participou da audiência pública “Concursados da SAP: chamada já”, na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), na noite da última terça-feira (12).

Organizada pelo deputado Carlos Giannazi (Psol), a reunião também contou com a presença dos deputados eleitos Sargento Neri (AVANTE) e Adriana Borgo (PROS) e do deputado Ed Thomas (PSB).

A mobilização em prol da chamada dos aprovados envolve os concursos de ASP feminino 2013, 2014 e AEVP 2014, além do concurso da área meio, homologado em 2018. A preocupação se dá por conta da iminência do concurso de 2013 caducar.

“A audiência pública é uma pressão a mais em cima do governo”, afirma Gilson Pimentel Barreto, presidente do SINDCOP. “Essa situação das servidoras é mais uma situação para precarizar o sistema penitenciário. Há vários anos o sindicato vem solicitando reposição de servidores. Nós temos aposentadorias, falecimentos, e a reposição de quadro não vem”. Além do presidente, Amauri Horne e Alexandre Moreira representaram o sindicato.

“O déficit de agentes no sistema penitenciário é enorme, por isso estamos mobilizados ao lado de todos os aprovados em concurso público da SAP, para pressionar o governo do Estado pela chamada imediata”, declarou o deputado Giannazi.

Realidade na maioria das unidades prisionais, o déficit funcional se revela pelos números. Em todo Estado trabalham cerca de 24 mil agentes de segurança penitenciária (ASPs) e quase 6,5 mil agentes de escolta e vigilância penitenciária (AEVPs), segundo Portal da Transparência do Governo do Estado. A população carcerária de São Paulo, maior do Brasil, soma aproximadamente 230 mil presos.

Em números absolutos, a proporção é de 9,3 presos por agente. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) e o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), o ideal seria 5 presos por agente.

“A situação da servidora se agrava ainda mais porque, de alguns anos para cá, o Estado começou a fazer penitenciárias femininas, são penitenciárias muito grandes e o corpo funcional dessas unidades é abaixo do necessário”, destaca Barreto. “Você tem um concurso na iminência de caducar, um concurso que é caro, moroso, e o governo, por questões políticas, não contrata. São pessoas que participaram do certame, se qualificaram, existe a necessidade da mão-de-obra e o governo não contrata”, completa o presidente.

Além da demora em chamar os candidatos aprovados em concursos, a gestão do governador João Doria (PSDB) anunciou o projeto de privatização do sistema penitenciário, assunto que foi debatido durante a audiência.

“Há poucos dias, conversando com o secretário, eu cobrei dele se iria chamar essas meninas do concurso 2013 por estar na iminência de caducar. Ele não deixou muita expectativa, então aqui é mais uma forma de pressão com o governador, pois é discricionário dele fazer isso”, finaliza o Barreto.

Notícias relacionadas

Agentes públicos ameaçados em razão do trabalho poderão pedir proteção especial

Policiais penais denunciam demissões abusivas em audiência na Alesp

Frente Parlamentar em Defesa da Polícia Penal realiza audiência na Alesp contra demissões abusivas

plugins premium WordPress