Servidores penitenciários vão pedir audiência com Jungmann

Decisão foi tomada no seminário que terminou ontem e reuniu agentes penitenciários de todo o Brasil

Lucas Mendes e Inês Ferreira

Representantes de agentes penitenciários de todo o país vão pedir uma reunião com Raul Jungmann, nomeado nessa semana ministro da Segurança Pública. Eles querem discutir com o ministro o projeto que prevê a criação da Polícia Penal.

A decisão ocorreu no final do seminário que debateu a criação da Polícia Penal, realizado ontem, na Câmara dos Deputados, em Brasília. No final do evento, foi redigida uma carta de intenções que será entregue ao ministro.

Diretores e filiados do SINDCOP também estiveram no evento, junto com o presidente da entidade Gilson Pimentel Barreto.

Segundo o presidente do SINDCOP a reunião com Jungmann se faz necessária já que houve uma reestruturação nos ministérios por causa da intervenção no Rio de Janeiro, e agora os assuntos penitenciários pertencem ao Ministério da Segurança Pública, do qual Jungmann é o ministro.

A pasta foi criada pelo governo no último dia 26, como uma das estratégias para combater a criminalidade e a violência no país.

A proposta de reunião é um dos encaminhamentos do seminário. O documento será protocolizado na Câmara, na próxima semana.

Polícia Penal Já

Deputados, lideranças sindicais e especialistas em segurança pública participaram do evento e foram unânimes sobre a necessidade de aprovação da Polícia Penal. Os participantes entendem que a proposta fortalece a estrutura da segurança pública no Brasil.

O projeto da Polícia Penal tramita como Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 372/2017. Por ser uma alteração na Constituição, ela não poderá tramitar até o fim da intervenção federal no Rio de Janeiro, prevista para acabar dia 31 de dezembro.

Durante o evento Carlos Eduardo Piotto, representante do SINDCOP, fez um pronunciamento na tribuna e denunciou a política do PSDB, que segundo ele, desvaloriza o servidor público.

“As polícias sempre tiveram valor, e nós somos tratados à margem disso. Nós nunca fomos tratados como profissional da segurança pública e sempre fomos desvalorizados”, afirmou Piotto.

Ele também lembrou a defasagem salarial e a falta de reposição de perdas salarias dos últimos três anos.

“Depois de mais de 40 meses saiu um reajuste salarial de 3,5% para os agentes. Para as demais polícias foi 4%. É pouco, mas por que nós somos tratados diferentes?”.

Já aprovada de forma unânime pelo Senado, a PEC é uma reivindicação dos trabalhadores penitenciários para que sua profissão seja reconhecida e valorizada nos mesmos moldes do que acontece com as demais carreiras policiais.

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