SINDCOP é convidado para participar de fórum alternativo que vai debater o uso democrático das águas

Inês Ferreira
O SINDCOP deverá participar de 17 a 22 de março, em Brasília, do Fórum Alternativo Mundial das Águas (FAMA). O evento é realizado em parceria com diversas entidades sociais, entre elas ISP (Internacional de Serviços Públicos) e CSPB (Confederação dos Servidores Públicos do Brasil). O convite ao sindicato foi feito por estas duas entidades, as quais o SINDCOP é vinculado.

A iniciativa de promover o FAMA surgiu como uma alternativa popular ao Fórum Mundial das Águas, que será realizado na capital Federal, entre 18 e 23 de março, e reunirá grandes grupos econômicos que visam discutir a privatização e o acesso das multinacionais a esse recurso.

O FAMA ocorrerá em Brasília – coincidindo esse evento que é criado pelas grandes corporações, autodenominado “Fórum Mundial da Água”, que buscam legitimidade na sociedade para impor a privatização das fontes de água (como mananciais, rios e nascentes e a mercantilização das reservas estratégicas) e obterem lucros sobre estes bens que pertencem a todos e são essenciais para a manutenção da vida no planeta.

O fórum pretende unificar a luta contra a tentativa das grandes corporações em transformar a água em uma mercadoria, privatizando as reservas e fontes naturais de água, tentando transformar este direito em um recurso inalcançável para muitas populações, que, com isso, sofrem exclusão social, pobreza e se vêm envolvidas em conflitos e guerras de todo o tipo.

Várias entidades brasileiras e internacionais se reuniram e decidiram impulsionar o evento, como continuidade de Fóruns Alternativos anteriores, como os realizados em Daegu, na Coreia do Sul, e em Marselha, na França.

Os idealizadores do evento defendem que a água é um direito, não uma mercadoria. A partir deste conceito foi criado o FAMA – em defesa ao direito de acesso à água aos povos de todo o mundo e para se opor às tentativas de privatização e mercantilização da água – desenvolvidas por corporações nacionais e internacionais, e governos subordinados a elas – e reafirmar a luta em defesa das reservas estratégicas – e da soberania nacional – e pela garantia dos direitos humanos e da preservação do planeta.


Muitas corporações já controlam a prestação de serviços de água e esgoto, a extração intensiva de água para engarrafamento e produção de bebidas. A formação de monopólios empresariais para explorar este recurso tem como consequência o aumento progressivo da exclusão ao acesso à água, que hoje é estimado em 663 milhões de pessoas em todo o mundo – dados da ONU.

O FAMA pretende reunir a sociedade civil – representada nos movimentos sociais, entidades sindicais, organizações ambientais, comunidades indígenas e autóctones ameaçadas de serem expulsas de suas terras, personalidades do mundo acadêmico-científico, camponeses, entre outros – para debater e decidir formas de impedir que esse processo destruidor continue se alastrando por todo o planeta.

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