Um dos temas destacados pelo diretor do Sindcop foi a “guerra” aberta contra as gangues pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele.
A Rádio Sindcop recebeu para entrevista nesta quinta-feira (10), o Diretor Parlamentar do Sindcop, Alessandro Leite. Ele e o filiado Josemar Pereira, representaram a categoria dos policiais penais no Congresso Fiesp Segurança Pública, em São Paulo. O evento ocorreu na sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) no último dia 31.
O Congresso reuniu autoridades públicas, especialistas e lideranças empresariais para discutir soluções estratégicas contra o avanço do crime organizado, o sistema prisional, inteligência, tecnologia, integração das forças de segurança e os reflexos provocados no desenvolvimento do país.
Entre as autoridades, estavam o magistrado italiano e conselheiro jurídico do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Itália, Giovanni Tartaglia Polcini, que falou sobre a experiência italiana no histórico combate às máfias e à criminalidade organizada, e o ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador, Gustavo Villatoro, que destacou a experiência de seu país no enfrentamento às organizações criminosas.
Na entrevista à Rádio Sindcop, o diretor destacou que, normalmente, esse tema é muito debatido quando chega o período eleitoral. “Depois que passa a eleição, o povo acaba esquecendo. Mas vamos aproveitar enquanto todo mundo está querendo discutir”, disse.
O diretor do Sindcop ressaltou um dos temas tratados no Congresso, a “guerra” aberta contra as gangues pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele.
“O primeiro debate forte foi sobre a recuperação dos territórios. El Salvador foi considerado o país mais violento do mundo. No segundo mandato ele conseguiu fazer a maioria no congresso, teve a união no congresso e começou a tomar as providências que ele achava cabível para tentar recuperar o território do país. O que ele fez? Assim que ele tomou posse destituiu os cinco ministros do Supremo, da Suprema Corte, um procurador, e começou a endurecer as leis. Nesse endurecimento das leis, ele começou a fazer um levantamento de todas as gangues que estavam tentando dominar os territórios. Fizeram um sistema de encarceramento em massa, que no país funcionou. Criaram uma prisão que é considerada uma das mais seguras do mundo. É lógico que no enfrentamento desse porte, dessa forma, é muito difícil, pois não tem como agradar a todos […]. Tem que ter força política, tem que ter força de vontade dos profissionais da área e tem que ter qualificação e equipamento”, explicou o diretor do Sindcop.
Confira a entrevista na íntegra:
Congresso
Durante o congresso, foram apresentadas as conclusões de três pesquisas integradas encomendadas pela Fiesp. A principal conclusão foi de que a criminalidade e a sensação de insegurança ultrapassam as estatísticas de violência e impactam diretamente a economia brasileira.
De acordo com a Fiesp, para mapear o impacto do crime, o estudo ouviu três grupos complementares: cidadãos, representantes da indústria de transformação paulista e a população carcerária da Região Metropolitana de São Paulo.
Uma das pesquisas, “Percepção Nacional de Segurança Pública”, revelou como a insegurança drena recursos financeiros dos lares brasileiros e afeta a mobilidade e as decisões de trabalho. Segundo a pesquisa da Fiesp, 84% dos brasileiros relatam que a insegurança tira dinheiro do seu orçamento familiar, 1 em cada 4 pessoas já deixou de aceitar uma oportunidade de trabalho por medo da violência, e 60% afirmam que suas atividades profissionais encontram dificuldades pela presença de facções, milícias ou crime organizado.



