Servidores do sistema prisional precisam ficar atentos com o
Servidores do sistema prisional precisam ficar atentos com o dia-a-dia da profissão e em como prevenir doenças e casos de suicídio

Campanhas como o “Setembro Amarelo” buscam conscientizar a sociedade sobre a importância da prevenção do suicídio. Foto: Reprodução.
Por Lucas Mendes
Profissão que é exercida em locais insalubres, a categoria de agente penitenciário tem condições de trabalho muitas vezes precarizadas, com uma rotina estressante e de alto risco, devido ao contato direto com criminosos ou facções. Além disso, o déficit de vagas nas cadeias e a falta de profissionais – em especial no estado de São Paulo, fazem com que a saúde física e psicológica dos agentes seja afetada e, por consequência, fragilizada.
Nesse cenário, é importante estar atento à própria saúde mental e em como ela é afetada pelo dia-a-dia nas cadeias. Até mesmo com os casos extremos que podem surgir do trabalho: estresse, dependência química, depressão ou tentativas de suicídio. A saída é sempre falar abertamente sobre esses problemas.
Esse é o entendimento do Centro de Valorização da Vida (CVV), associação que presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio.
A discussão é atual. Até o momento em 2017, 5 colegas ASPs e AEVPs tiraram a vida. O número já é maior do que todos os suicídios do sistema prisional paulista em 2016 e igual aos casos de 2014 e 2015.
Os problemas potencializados pelo sistema prisional também são percebidos na sociedade de maneira geral. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), no mundo todo 800 mil pessoas tiram a vida anualmente. No Brasil, a média é de 11 mil mortes por suicídios todos os anos.
As próprias alterações no mundo do trabalho contribuem para tal situação. Como aponta análise do CVV, o ambiente de trabalho se mostra mais dinâmico, competitivo, individualizado e precarizado, atingindo cada vez mais as relações na família. A sobrecarga de trabalho pode gerar “problemas com estresse, depressão ou ansiedade, bem como passivo ao esgotamento físico e mental, afetando substancialmente a qualidade de vida dentro ou fora do espaço ocupacional”.
Falar é a melhor solução
Segundo estudo da Unicamp, 17% dos brasileiros já pensaram, em algum momento, em dar fim à própria vida, sendo que 4,8% deles chegaram a elaborar um plano para isso. Pensar em suicídio faz parte da natureza humana, mas é um impulso comum nas pessoas que estão psicologicamente exaustas e emocionalmente fragilizadas.
Não existem causas específicas para o suicídio. No entanto, especialistas em saúde mental apontam alguns transtornos recorrentes: depressão, dependência química (álcool e drogas) e esquizofrenia.
Nos momentos de crise, é preciso se abrir e conversar. Ao colocar para fora os sentimentos, a pessoa pode desistir da ideia de tirar a vida. E essa ajuda pode vir de pessoas comuns, como os amigos, ou de organizações especializadas, como o próprio CVV ou o atendimento oferecido pelo SINDCOP.
Segundo a OMS, 90% dos casos de suicídio podem ser prevenidos – desde que existam as condições de ajuda voluntária ou profissional. Apesar de a sociedade encarar como tabu e com preconceito, é preciso conversar abertamente sobre esses problemas.
Umas das saídas é entrar em contato com o SINDCOP. Entendendo a importância do auxílio emocional e da atenção ao servidor, o sindicato mantém atendimentos psicológicos gratuitos aos filiados, na sede em Bauru e nas subsedes de Pirajuí e Presidente Prudente. Para agendar basta entrar em contato com o SINDCOP pelos telefones (14) 3226-3255 (Bauru), (14) 3584-4272 (Pirajuí) e (18) 3221-9315 (P. Prudente).
Outra opção é entrar em contato com o CVV. É um serviço de apoio emocional e prevenção do suicídio para todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo. O atendimento pode ser feito gratuitamente por telefone, chat, Skype, email ou pessoalmente.
Basta ligar 141 para ser atendido. O serviço ocorre 24h por dia. Os outros atendimentos online ou presencial podem ser encontrados no site: www.cvv.org.br.



