Sistema prisional tem crescimento de 190% em número de óbitos por covid-19

Carlos Vítolo

Da Redação – SINDCOP

Um monitoramento realizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aponta que ocorreram 58 mortes por covid-19 entre servidores e pessoas em privação de liberdade, somente nos primeiros 67 dias do ano. Segundo o estudo, o total é de 308 óbitos desde o início da pandemia.

Os dados, de acordo com o CNJ, representam um aumento de 190% no registro de novos óbitos em relação ao último bimestre do ano passado, com 20 mortos, enquanto que 2021 começou com 250 mortes confirmadas.

Segundo o monitoramento, estabelecimentos do sistema prisional e unidades do sistema socioeducativo contam com 71.342 mil casos de Covid-19 desde o início da pandemia. Do total, são 64.189 casos nas unidades prisionais, contabilizando 48.143 presos e 16.046 servidores. Também, foram 1.629 adolescentes infectados em unidades socioeducativas e 5.524 servidores.

O documento também aponta dados sobre a realização de testes para detecção de Covid-19 em unidades prisionais e socioeducativas. Conforme o relatório, houve testagem em 18.654 adolescentes e 23.067 servidores, em estabelecimentos de 23 estados. Enquanto isso, o monitoramento destaca que nas unidades prisionais a testagem para a detecção da doença foi realizada em 254.105 pessoas presas e 66.199 servidores.

Servidores preocupados com alta mortes nos presídios de SP

No sistema prisional de São Paulo, policiais penais e demais servidores estão assustados com o total de mortos entre os funcionários, que já chegou a 51, segundo boletim publicado pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP).

Em 7/7/2020, a primeira publicação do boletim da SAP, por determinação judicial, apontava que 19 servidores haviam morrido por Covid-19 nos presídios. Nesta sexta-feira (12), o boletim aponta que o número de mortos é de 51 servidores. O boletim não especifica as funções ou cargos, se refere tanto a policiais penais quanto a demais servidores, e apenas aponta os números.

Apesar do número de 51 mortos apresentado pela SAP, o diretor suplente do Sindcop, Aparecido Carlos Leandro, aponta que, há que caos não registrados no boletim da SAP, e que o total de servidores é de 53.

O presidente do Sindcop, Gilson Pimentel Barreto, disse que a categoria está enfrentando um momento difícil. “Os números, a cada dia que passa, só aumentam. No nosso entendimento, os números reais, vão muito além dos números oficiais do governo. O sindicato conhece a realidade de dentro do sistema penitenciário. A realidade que nós servidores, nós policiais penais do Estado de São Paulo estamos vivendo, é muito diferente da realidade que os órgãos oficiais, com suas notas oficiais passam”, disse o sindicalista.

Barreto apontou ainda que muitos mortos não foram contabilizados. “Temos colegas morrendo de Covid-19 e que ainda não foram contabilizados porque aguardam exames, ou porque os exames foram feitos de forma particular, e não na rede credenciada. E isso já foi dito para a gente em reunião com o secretário Nivaldo Restivo, da SAP. E que o governo somente contabiliza como casos confirmados de Covid-19, o que passar pela rede pública, pelas clínicas credenciadas, e que eles mesmos não tinham conhecimento de situações se não chegassem até eles”, comentou.

Questionada pela reportagem do Sindcop, pelo segundo dia consecutivo, até o fechamento matéria a SAP mais uma vez não emitiu resposta sobre o aumento do número de casos.

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