Governo Doria quer monitorar postagens em redes sociais 24h por dia

Proposta faz parte de edital de concorrência para prestação de serviços de planejamento, desenvolvimento e execução de soluções de inteligência em comunicação digital

Os principais influenciadores nas redes sociais serão fichados individualmente. Foto: Reprodução.



Por Lucas Mendes

O governo de João Doria (PSDB) no Estado de São Paulo pretende fazer um monitoramento ininterrupto nas redes sociais para acompanhar a interação de usuários e a repercussão dos assuntos mais comentados.

Uma das ações será a classificação de postagens de acordo como elas afetarão a imagem do governo (neutro, positiva e negativa). Deverá ser feito também um levantamento de temas predominantes na internet e uma relação com os “principais influenciadores” das redes, em fichas individualizadas, sejam eles “detratores” ou “apoiadores”.

Para execução do serviço foi aberto um edital de concorrência (01/2020), publicado dia 25 de janeiro no Diário Oficial do Estado. As propostas das empresas interessadas podem ser encaminhadas até o dia 16 de março. O valor estimado do contrato é de 15,8 milhões de reais.

A empresa vencedora da licitação cuidará do planejamento, desenvolvimento e execução de soluções de inteligência em comunicação digital. As ações serão prestadas para a Unidade de Comunicação, vinculada à Secretaria de Governo, chefiada pelo vice-governador, Rodrigo Garcia.

A medida gerou preocupação em servidores devido ao potencial de vigilância sobre as manifestações feitas na internet.

Segundo explicou ao SINDCOP Lillian Gutierres, analista de mídia na agência de marketing e gestão de marcas MR Tempo, de Bauru, a especificação para “individualizar” o monitoramento é inusitada e leva a questionamentos sobre a ética da medida.

“Esse pedido para montar uma ficha individual nunca aconteceu com a gente e eu particularmente não acho nada ético. Por que o governo vai querer os nossos dados, ou os perfis da pessoa?”, questiona.

“O máximo que a gente faz é verificar perfis de pessoas que comentam, que gostam e que não gostam, para montar uma persona –  e aí conseguimos direcionar nosso conteúdo para esse perfil de público, mas não com dados individuais”. ressalta.

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