DESATIVAÇÃO DO IPA

Audiência deverá ocorrer dia 13 de março

Servidores pedem audiência pública para discutir a desativação do IPA

O vereador Roque Ferreira vai solicitar uma audiência pública para discutir a desativação do antigo IPA (Instituto Penal Agrícola), o CPP III. Se o pedido for aprovado à audiência deverá ocorrer no próximo dia 13 de março. 

A decisão foi tomada na manhã de quinta-feira (09), durante reunião realizada na Câmara Municipal de Bauru, que contou com a presença de servidores, do SINDCOP e do Sifuspesp.

Os servidores foram a Câmara pedir apoio a Roque Ferreira para que, caso ocorra à desativação do IPA, não haja transferências de servidores para unidades de outros municípios. Servidores estão em mobilização permanente e reivindicam a construção do CPP III para abrigar servidores e detentos, caso haja a desativação da unidade.

O vereador prometeu apoio à luta dos servidores e se comprometeu em intermediar um encontro entre os servidores e deputados estaduais do PT, na Alesp (Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo) para que estes intercedam pelos funcionários.

A desativação do antigo IPA está sendo articulada por empresários e políticos da cidade. Eles querem desativar o local para construir uma escola de formação de policiais militares. O IPA está localizado numa área de 270 alqueires, na Região Norte da cidade. Essa é uma das poucas áreas de Bauru que não tem restrições ambientais. O local é visto por empreendedores com um grande potencial para loteamentos. 

Durante a reunião o presidente do SINDCOP, Gilson Pimentel Barreto falou sobre a situação do sistema carcerário de Bauru e sobre as consequências que a desativação do antigo IPA trará para funcionários e para a população.

Trabalham no antigo IPA cerca de 250 servidores. Alguns prestam serviços nessa unidade prisional há cerca de 30 anos. A maioria dos servidores tem família e vínculos estáveis na cidade. 

Segundo Barreto, que também é presidente da Febrasp (Federação Brasileira dos Servidores Penitenciários), a transferência envolveria diretamente a saída da cidade de cerca de 2 mil pessoas, somando servidores e suas famílias.

“Além das transferências, que prejudicaria a vida dos servidores, o número de presos nos CPPs I e II pode se tornar alarmantes. Se desativarem o IPA e enviarem os detentos para essas unidades à situação do sistema carcerário de Bauru ficará insuportável. Podemos ter cerca de 6 mil presos em Regime semiaberto em apenas 2 (duas) Unidades ao invés de 3 (três). Atualmente temos cerca de 4 mil presos nessas 3 (três) unidades”, disse o presidente.

Segundo ele, estão vendendo a ideia de que a desativação do IPA vai diminuir o número de presos do regime semiaberto em Bauru, o que não é verdade.

“Mesmo com a reforma dos CPPs I e II ambas as unidades não suportariam receber mais presos. A reforma não consiste no aumento do espaço físico. A estrutura das unidades não serão  alteradas, bem como o número de funcionários que irão trabalhar no local. Sem os presos do antigo IPA, os CPPs I e II já enfrentam sérios problemas com a superpopulação de presos que podem refletir na segurança da população”, disse ele.

Segundo servidores, a reforma que está sendo realizada nas duas unidades é apenas um “puxadinho” que sequer vai resolver o problema da superpopulação já existente.

“O governo está apenas aumentando o número de camas dentro das celas. Não estão fazendo ampliação do prédio”, afirmaram os servidores.

Por esse motivo, os servidores reivindicam a construção de uma outra unidade, o CPP III, para receber os presos e os funcionários do antigo IPA.

“Não queremos mais uma unidade prisional para cidade, apenas a substituição do prédio. Se houver a desativação do IPA queremos que seja construída uma unidade para absorver servidores e detentos”, disse um dos servidores que participou da reunião. 

Consequencias econômicas

Segundo os servidores, a desativação do IPA também trará prejuízos econômicos para cidade.

“A folha de pagamento anual dos servidores dessa unidade é de cerca de 13 milhões por ano. Somente em gêneros alimentícios o IPA gasta cerca de 4 milhões no mesmo período. Além do mais, 550 presos do IPA prestam serviços na cidade, sendo que desse total 88 trabalham para a Prefeitura de Bauru, em diversas secretarias. Fora isso, temos várias empresas vinculadas ao IPA”, afirmou um dos servidores.

Conseg

Na última quarta-feira servidores participaram de uma reunião no Conseg Centro-Sul. Integrantes do Conseg manifestaram apoio aos servidores e decidiram marcar uma reunião com representantes de outras entidades para discutir o assunto. Os servidores já receberam o apoio do Partido Verde, da Comissão Carcerária da Subseção da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Bauru e da Pastoral Carcerária.

No próximo dia 18 de janeiro, eles deverão se reunir com o deputado Pedro Tobias para discutir o assunto. A reunião será no escritório do deputado. O deputado é o principal defensor da ideia de desativação do IPA.

Notícias relacionadas

Diretores do Sindcop participam de evento internacional sobre segurança pública

MP instaura inquérito civil para apurar responsabilidades em incêndio em presídio de Marília

Sindcop deseja um feliz Dia dos Pais aos policiais penais

plugins premium WordPress