Sindcop participa de audiência na Câmara dos Deputados sobre saúde e segurança dos policiais penais

Profissionais realizam trabalho em “ambiente desafiador e potencialmente perigoso”, apontam idealizadores da discussão.

Carlos Vítolo

Da Redação – SINDCOP

O Sindcop participou nesta quinta-feira (9), de uma audiência pública promovida pelas comissões de Segurança Pública e de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados para discutir sobre a saúde e a segurança dos policiais penais no ambiente de trabalho.

O sindicato foi representado pelo diretor de Assuntos Jurídicos, Carlos Piotto, pelo secretário-geral Carlos Neves, pelo diretor da subsede de Ribeirão Preto, Eliseu Carlota, e pela diretora de Assuntos de Saúde, Maria Alice Acosta.

O debate foi sugerido pelo deputado Pastor Henrique Vieira (Psol-RJ) e pela deputada Professora Luciene Cavalcante (Psol-SP). Eles propuseram a realização da audiência considerando os casos de doenças ocupacionais que acometem os policiais penais, para promover uma discussão abrangente e multidisciplinar a fim de encontrar soluções eficazes.

Também estiveram presentes os deputados Prof. Paulo Fernando, Erika Kokay e Silvia Waiãpi. Ainda entre os participantes estiveram o Diretor do Sistema Penitenciário da Secretaria Nacional de Políticas Penais do Ministério da Justiça e Segurança Pública,

Marcelo Stona, o vice-presidente da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB) e presidente da Federação dos Sindicatos dos Servidores Públicos do Estado de São Paulo (FESSP-ESP), Lineu Neves Mazano, o deputado estadual de São Paulo, Carlos Giannazi, que uma participação virtual, entre outros convidados.

O requerimento para a realização da audiência destaca que os policiais penais enfrentam uma série de desafios em seu cotidiano laboral e desempenham papel fundamental na manutenção da ordem e na prevenção de incidentes dentro das unidades prisionais.

“É necessário reconhecer que o trabalho desses profissionais é realizado em um ambiente desafiador e potencialmente perigoso, por conta de aspectos como a superlotação dos presídios, deficiências estruturais nas instalações e a ausência de equipamentos de segurança apropriados”, descreve.

O documento relata que as condições adversas contribuem para o aumento dos riscos ocupacionais e afetam diretamente a segurança e o bem-estar dos policiais penais, podendo resultar em consequências negativas para sua saúde física e mental, como contaminação por radiação, ansiedade, transtornos do sono e até mesmo traumas psicológicos.

Segundo a justificativa do requerimento para a realização da audiência, o uso do equipamento body scan nas entradas das penitenciárias – espécie de raio-x corporal para detectar armas, explosivos e drogas – pode colocar em risco a vida dos servidores, presos e familiares por decorrência da emissão de radioatividade. O documento aponta que os policiais penais “estão tendo que manusear o body scan sem a realização de treinamento prévio, por períodos superiores a 20 horas semanais e sem o fornecimento de nenhum equipamento de proteção individual (EPI). Os riscos são reais pois a radiação ionizante é silenciosa e ataca sem que os usuários ou operadores percebam sua ação, podendo causar sensação de mal-estar, ânsia de vômito, dores de cabeça, queda de cabelo, esterilidade, má formação dos fetos, câncer e até mesmo aborto”.

O diretor de Assuntos Jurídicos, Carlos Piotto, durante sua fala na audiência, destacou que o sindicato é totalmente favorável ao uso da tecnologia dos scanners corporais para fazer a segurança dos presídios, mas que não existe ainda nacionalmente regras e condutas para operação e segurança dessa tecnologia.

“Começamos a trabalhar com a tecnologia de radiação ionizante por volta de 2004/2005 através dos scanners de bagagem, e me lembro muito bem, e hoje com tristeza, depois que eu estudei um pouco como funcionam esses equipamentos, que falavam para nós que isso aí era radiação elétrica, não fazia mal, essa era a palavra que usavam, radiação elétrica”, disse Piotto.

O diretor destacou que “só é feita a manutenção para fazer funcionar, nunca foi feito teste para ver se tem vazamento de radiação”, disse. “Cobramos desde a administração passada, do governo passado, não tivemos retorno, continuamos a cobrar isso, mas infelizmente não vemos nada de diferente. Nossos ofícios não são respondidos pelo governo”, ressaltou o diretor do Sindcop. Ao final do evento, em vídeo, Piotto falou sobre a realização do debate.

Também ao final do evento, a deputada Professora Luciene Cavalcante, falou sobre a audiência e os encaminhamentos.

A deputada Silvia Waiãpi também falou a realização da audiência.

Assista a íntegra da audiência pública promovida pelas comissões de Segurança Pública e de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados.

Notícias relacionadas

Diretores do Sindcop participam de evento internacional sobre segurança pública

MP instaura inquérito civil para apurar responsabilidades em incêndio em presídio de Marília

Sindcop deseja um feliz Dia dos Pais aos policiais penais

plugins premium WordPress